Wednesday, June 04, 2008

"Pelos vistos, tudo o que acontece na vida obedece a um cronómetro invisível: não se pode decidir com um minuto de antecedência, mas só quando as coisas e as situações decidem por si mesmas...Tudo o mais é forçado, insensato, desumano, talvez mesmo imoral. A vida decide, maravilhosa e surpreendentemente...e, então, tudo se torna simples e natural"

Sandor Marai in "A mulher certa"

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Sunday, June 01, 2008

Feira do livro

Quarta-feira passada foi assim:
"Ah e tal, vou só ali à feira do livro comprar um ou dois livrinhos"
Saí de lá com uns 8 livros mais uma garrafa de vinho...e menos uns 40 ou 50 euros no bolso.
Gastei muito mais do que tinha planeado, mas valeu a pena, porque com esta coisa da diáspora, fiquei uns aninhos sem lá ir e....adoro a feira do livro...desde os tempos longinquos em que iamos lá sempre em familia um dia em cada ano.
E a companhia? Foi excelente! Com o desblogueado e a T, é sempre diversão garantida. E acho que houve alguns vendedores que se divertiram à nossa custa....

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Thursday, April 03, 2008

"Nao basta amar alguém. É preciso amar com coragem. É preciso amar de tal modo que nenhum ladrao, ou má intençao, ou lei, lei divina ou deste mundo, possa seja o que for contra esse amor."

Sandor Marai in A Herança de Eszter

Mais um livro que recomendo deste autor. Venha o proximo!

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Monday, March 31, 2008

"Os amores sem esperança nunca terminam."

"O homem vive, e corrige, ajusta, edifica, e destroi, algumas vezes, a sua vida; mas, passado tempo, da-se conta de que o todo, tal como está, por força dos erros e do acaso, é imodificável."

in "A Herança de Eszter", Sandor Marai again

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Thursday, March 20, 2008

"No fim, o mundo não importa nada. Só importa o que fica nos nossos corações.
(...)
Beijam-se. É um beijo estranho, breve e singular: se alguém o visse, sorria de certeza. Mas como todos os beijos humanos, este também é uma resposta, à sua maneira disforme e terna, a uma pergunta, que não se pode dizer com palavras."
The End

"As velas ardem até ao fim" de Sandor Marai: um dos (senao o) livros mais profundos que já li.
Recomendo vivamente, como já devem ter percebido pela quantidade de posts que já escrevi sobre o livro.

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Wednesday, March 19, 2008

"But for those like us, our fate is to face the world as orphans chasing through long years the shadows of vanished parents. There is nothing for it but to try and see through our missions to the end, as best we can, for until we do so, we will be permitted no calm."
Kazuo Ishiguro in "When we were orphans"

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Monday, March 17, 2008

"O desejo de se ser diferente daquilo que se é, é a maior tragédia com que o destino pode castigar o homem. O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: não pode arder um desejo mais doloroso no coração humano. Porque não é possível suportar a vida de outra maneira, apenas sabendo que nos conformamos com aquilo que significamos para nós próprios e para o mundo. Temos de nos conformar com aquilo que somos e de ter consciência, quando nos conformamos, de que em troca dessa sabedoria, não recebemos elogios da vida, não nos põem no peito nenhuma condecoração por sabermos e aceitarmos que somos vaidosos ou egoístas, carecas e barrigudos - não, temos de saber que por nada disso recebemos recompensas, nem louvores. Temos de suportar, o segredo é isso. Temos de suportar o nosso carácter, o nosso temperamento, já que os seus defeitos, egoísmos e avidez, não os mudam nem a experiência, nem a compreensão. Temos de suportar que os nossos desejos não tenham plena repercussão no mundo. Temos de suportar que as pessoas que amamos, não nos amem, ou que não nos amem como gostaríamos. Temos de suportar a traição e a infidelidade, e o que é mais difícil entre todas as tarefas humanas, temos de suportar a superioridade moral ou intelectual de uma outra pessoa."

Sándor Márai, in 'As Velas Ardem Até ao Fim'

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Monday, March 10, 2008

"Mas Konrad tinha um refugio para onde o amigo nao o podia seguir: a musica. Como se tivesse um esconderijo secreto, onde o mundo nao o atingia.
(...)
Como se a rebeliao da musica tivesse levantado a mobilia, como se uma força da janela agitasse as cortinas pesadas de seda, como se tudo o que os coraçoes humanos haviam enterrado e que era gelatinoso e bafiento, começasse a viver, como se no coraçao de cada pessoa se ocultasse um ritmo moral que num determinado momento da vida, começava a pulsar com uma força termenda. Os ouvintes pacientes pereceberam que a musica era perigosa."

(in "As velas ardem até ao fim", Sandor Marai)

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Sunday, February 24, 2008


Sendo eu fa incondicional do Jose Luis Peixoto, nao pude deixar de ficar com uma lagrima ao canto do olho (xiiiii......q exagero....lol), quando ontem vi a traduçao francesa do "Cemiterio de Pianos" à venda e em destaque na livraria Filigranes em Bruxelas. é o màior!

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Monday, January 28, 2008

"Tinhamos as maos dadas, estàvamos proximos, mas eram os olhos que deixavam que nos tocàssemos."

(in "Cal", Jose Luis Peixoto)

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Monday, January 21, 2008

Ultima leitura

"To make the world a better place. To bring some beauty to the drab, humdrum corners of the soul. You can do it with a toaster, you can do it with a poem, you can do it by reaching out your hand to a stranger. It doesn't matter what form it takes. To leave the world a little better than you found it. That's the best a man can ever do."

"It was the first time since his master's death that he had been able to think about such things without feeling crushed by sorrow, the first time he had understood that memory was a place, a real place that one could visit, and that to spend a few moments among the dead was not necessarily bad for you, that it could be a source of great comfort and happiness."

"He no longer felt afraid. (...), but the fact was that he had woken up feeling much better than at any time since Willy's death. He knew that Willy hadn't really been there with him on the subway, (...), but in the afterglow of this dream about impossible and beautiful things, he sensed that Willy was still with him, and even if he couldn't be with him, it was as if he were watching him, and even if the eyes that looked down on him were actually inside him, it made no difference in the larger scheme of things, because those eyes were the exact difference between feeling alone in the world and not feeling alone."

(in "Timbuktu" - Paul Auster)

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Tuesday, January 08, 2008

A Terceira Rosa

Ha livros que se leem depressa demais. Ha livros que se leem devagar demais. Ha livros lidos de dia que seriam melhor sentidos à noite...ou vice-versa. Ha livros que so se leem uma vez. Ha livros que se podem ler vezes sem conta e que, em cada nova leitura, serao sentidos de uma forma diferente. Ha livros que se leem cedo demais. Ha livros que nos fazem pensar: "como é que vivi tanto tempo sem ler isto".
Este livro pode ser lido vezes sem conta, que veremos sempre as coisas por um angulo diferente. Para além disso, acho que o li cedo demais para o poder apreciar devidamente. Mesmo assim, marcou-me profundamente e ficou sempre na lista dos preferidos.
Uma passagem relida aqui, outra passagem relida ali e deu-me esta vontade incontrolavel de o voltar a ler. Comecei ontem. A primeira pàgina foi logo assim:
"Os anos passarão. Os canteiros hão-de gerar um outro buxo. Outros pássaros virão cantar nos ramos altos do pinheiro manso e dos plátanos. A tia morrerá. E a casa e o jardim, a própria vila, suas rotinas, seus ritmos e seus ecos. Não ficará senão a tua voz na tarde calma. Olá, disseste. E a terra começou a tremer."
Folheio umas paginas ao acaso e paro mais nestas passagens:
"Tanto te chegas como te esquivas, estás e não estás, dás e recusas. Não sei se por tudo isto, se por algo que não se explica. sei que quando me tocas a batida da terra coincide com a do meu coração."
"Não sei se é um eco, se sou eu próprio a falar por ti. Nem sei se não serei sozinho os dois. Ou se não serás tu que me pegas na mão para por ti escrever. Eu e tu. Que és e não és. Criação minha, não mais que amor do amor, o que de si mesmo se alimenta, a si mesmo se consome e de si mesmo morre e renasce. Como eu em ti e tu em mim. Ou eu e tu num só, este que nem sequer diz o teu nome, porque não sabe, nunca soube ao certo quem tu és. Todas numa só. Ou uma só em todas."
Agora imaginem um livro em que tropeçamos em coisas destas por todo o lado - é assim "A Terceira Rosa" de Manuel Alegre.
Agora, a parte gira é a minha frustraçao por ter deixado o livro em Lisboa onde o tinha posto, em cima da mesa de cabeceira, mesmo ao lado do telemovel para nao me esquecer. O telemovel veio e o livro ficou. às 5 e meia da manha seria dificil pensar racionalmente. Agora....espero mais umas semanas até poder continuar a le-lo...que remédio.

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Monday, December 31, 2007

"Passaram dias dentro desse silêncio. (...) continuavam a sorrir às vezes, mas esse silêncio permanecia por baixo das poucas palavras que trocavam e em tudo, tudo o que diziam."
(in "Cal", Jose Luis Peixoto)

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Monday, November 19, 2007

"Entre os remédios habituais contra a nossa propria miséria, temos o amor. Porque aquele que é absolutamente amado nao pode ser miseravel. Todas as fraquezas sao resgatadas pelo olhar magico do amor, em que até a nataçao desajeitada, com a cabeça erguida à superficie da agua, se pode tornar encantadora."

in "O livro do riso e do esquecimento" por Milan Kundera

(ando a le-lo e estou a adorar)

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Thursday, November 08, 2007

What if?

O Homem sempre se considerou o maior dos seres vivos, o mais inteligente, aquele que nasceu para dominar o mundo. Mas...
E se um dia algum ser de outra especie abrisse os nossos olhos para os erros que fizémos ao logo de toda a nossa existencia? E se um dia a nossa visao de progresso fosse completamente revertida através de um livro tao simples como o dialogo de um homem com um gorila, em que sobressai a visao do gorila perante a historia da evoluçao do homem? E se um dia um animal nos desse uma liçao de respeito pelos outros seres vivos e pelo planeta?
Parece completamente marado, né? Mas, se lerem, acreditem que ficam a pensar sobre o assunto....como eu estou agora e como eu vou estar nos proximos dias. Se quiserem questionar-se um pouco sobre a vossa forma de vida, leiam. Se nao, deixem-se estar sossegaditos.

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Thursday, October 25, 2007

Gosto porque gosto do escritor Jose Luis Peixoto. Gosto da sua escrita poética, como se cada palavra precisasse de um carinho especial, como se cada frase fosse uma peça de colecçao. Hoje ao ler o Publico deparei-me com este conto que de tao bonito me chegou bem pertinho do coraçao; que sendo tao simples, é verdadeiramente genial.

Um rapaz que eu conheço
"Eu conheço um rapaz, mais ou menos da minha idade, que sabe ser feliz. Ninguém tem explicação para esta condição altamente fora do normal, altamente improvável. Ele tem três irmãos e todos eles são pessoas comuns, iguais a milhões, biliões de outras. Quando estão zangados, dizem palavras de que se arrependem. Quando estão desiludidos, vê-se nos seus rostos. Quando estão muito tristes, choram. Já o rapaz que sabe ser feliz nunca diz palavras de que se arrepende, nunca se vê o desalento no seu rosto, nunca chora. O seu rosto é o seu sorriso. Quando chega, sorri. Quando se despede, sorri...."

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Wednesday, August 29, 2007

E por falar em ler....

Este vale muito a pena...pelo enredo e pela forma de escrever deste escritor, meu desconhecido até agora.
"....porque esta vida vale a pena ser vivida por 3 ou 4 coisas e o resto é adubo para campos."
"- Não sei o que me deu. Não te ofendas, mas às vezes uma pessoa sente-se mais à vontade para falar com um estranho do que com as pessoas que conhece. Por que será?
Encolhi os ombros.
- Provavelmente porque um estranho nos vê como somos, e não como quer acreditar que somos."

Uma obra prima!

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Thursday, March 22, 2007

Siddharta


A book that makes you think.

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Wednesday, January 24, 2007

Cemitério de Pianos

Li, gostei e aconselho. Não é uma obra prima, mas é um livro do José Luís Peixoto. E só por isso vale a pena: porque no meio da narrativa, detenho-me em frases que me fazem pensar duas vezes; porque aprecio a poesia por entre a prosa.

"Os meus pés deslizaram pelo chão de mosaicos, o meu corpo atravessou os corredores de paredes cinzentas e de lâmpadas quase fundidas, intermitentes, a falharem. Os meus olhos não viam nada. E entrei no quarto. De uma vez: a minha mulher deitada na cama a segurar o nosso Francisco nos braços. A sorrir com a vida. Caminhei mudo e lento até à cama. Não soube dizer nada. Mais tarde, haveria de dizer que, logo ali, tinha percebido tudo aquilo de que ele seria capaz. Mais tarde, haveria de dizer tantas coisas. Naquele momento, não soube dizer nada. Toquei a face do menino com as pontas dos dedos. Toquei a testa da minha mulher com os lábios. O tempo não existia."

" A verdade, como o silêncio, existe apenas onde não estou. O silêncio existe por trás das palavras que se animam no meu interior, que se combatem, se destroem e que, nessa luta, abrem rasgões de sangue dentro de mim. Quando penso, o silêncio existe apenas fora daquilo que penso......"

Francisco Lázaro, o maratonista português que morreu nos Jogos Olímpicos, é uma das personagens deste livro. Mas, na minha opinião, é o cemitério de pianos e a fascinação por pianos de toda a família Lázaro, que trazem outra cor a este livro; e claro, a escrita sempre perfeita de José Luís Peixoto.

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